Publicado hoje · 3 de fevereiro de 2026

ANVISA Define Como Vai Funcionar o Cultivo de Cannabis no Brasil

Pacote de resoluções detalha quem pode plantar, estabelece normas para pesquisa científica e cria modelo experimental para testar formas de acesso fora do padrão industrial — como associações de pacientes.

3 de fevereiro de 2026
8 min de leitura
Fonte: G1
GloboNews - ANVISA aprova cultivo de cannabis medicinal no Brasil

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Fonte: GloboNews · Especial de Domingo · 1º de fevereiro de 2026

O que você precisa saber

Normas autorizam plantio controlado para fins medicinais, científicos e farmacêuticos
Ambiente experimental (sandbox) criado para testar modelos fora da indústria
Associações de pacientes podem participar via chamamento público
Regras definem exigências de segurança, fiscalização e limites de THC
Novo marco amplia regulação para toda a cadeia da cannabis medicinal

O que muda com as novas regras

Até então, a atuação da ANVISA estava concentrada principalmente na autorização sanitária de produtos à base de cannabis, em sua maioria importados, e na regulamentação da prescrição médica. O cultivo da planta em território nacional não era permitido, o que levou pacientes e associações a buscar autorizações individuais na Justiça.

As novas resoluções revogam a norma de 2019 e inauguram um modelo regulatório mais amplo, que passa a prever o plantio controlado da cannabis no Brasil, ainda que restrito a finalidades específicas e sujeito a exigências rigorosas de segurança e fiscalização.

Esta é a mais profunda reformulação da política regulatória da cannabis desde 2019.

Quem poderá cultivar cannabis no país

As regras distinguem diferentes modalidades de cultivo:

Cânhamo industrial

Cannabis sativa L. com teor de THC ≤ 0,3%. Plantio permitido para fins medicinais, farmacêuticos e de pesquisa. Estabelecimentos com autorização especial poderão adquirir sementes, cultivar e fornecer matéria-prima.

Cultivo para pesquisa científica

Permitido para universidades, instituições de ciência e tecnologia, órgãos de segurança pública e fabricantes de medicamentos — inclusive com variedades de maior teor de THC. Exige videomonitoramento ininterrupto, controle eletrônico de acesso e registro de imagens por até 2 anos.

Importante: Se um lote de cânhamo ultrapassar o limite de THC após análise laboratorial, ele deverá ser destruído e o ocorrido comunicado à ANVISA em até 48 horas.

Ambiente experimental abre espaço para associações

Uma das principais novidades do pacote é a criação de um ambiente regulatório experimental (sandbox), que permitirá à ANVISA testar, por até 5 anos, atividades relacionadas à cannabis desenvolvidas fora do modelo industrial tradicional e em pequena escala.

O objetivo é gerar evidências regulatórias sobre formas alternativas de acesso que hoje operam, em grande parte, amparadas por decisões judiciais — como as associações de pacientes que produzem e distribuem derivados da planta apenas para seus pacientes.

Regras do ambiente experimental

ParticipaçãoDepende de chamamento público e seleção pela agência
DuraçãoAté 5 anos
PublicidadeProibida
ComercializaçãoProibida a venda ampla — apenas para pacientes
AdequaçãoEntidades devem se comprometer a seguir normas definitivas após o período

Impacto para pacientes e profissionais

THC acima de 0,2% para doenças graves

A ANVISA passa a permitir concentrações de THC acima de 0,2% em medicamentos destinados exclusivamente ao tratamento de pacientes com doenças debilitantes graves, desde que atendidas exigências adicionais de rotulagem e controle.

Prescrição veterinária autorizada

Autorização formal para prescrição de produtos à base de cannabis por médicos veterinários, desde que os itens tenham autorização sanitária e estejam regularizados junto ao Ministério da Agricultura.

Farmácias de manipulação

A manipulação de fórmulas magistrais com canabidiol isolado foi admitida, mas dependerá de regulamentação complementar específica.

O que NÃO está liberado

Apesar da ampliação das regras, a ANVISA reforça que o novo marco não autoriza:

Uso recreativo de cannabis
Cultivo irrestrito da planta
Produção sem autorização prévia
Operação sem rastreabilidade e fiscalização

O descumprimento das normas pode levar à destruição de plantas e produtos, além da aplicação de sanções administrativas.

Sua associação está pronta para o chamamento público?

O XURU foi construído especificamente para atender os requisitos do Sandbox: rastreabilidade por QR Code, controle de prescrições, gestão de lotes, perfil de canabinoides e relatórios para auditoria.

O que esperar agora

A expectativa é que o novo modelo reduza a dependência de importações, dê mais previsibilidade regulatória e permita ao Estado avaliar, de forma controlada, diferentes formas de acesso à cannabis medicinal no Brasil.

Para associações, o momento é de preparação. O chamamento público para participação no ambiente experimental pode ser publicado nos próximos meses, e apenas entidades com estrutura adequada — governança, rastreabilidade, controle de qualidade e compliance — terão condições de participar.

Fonte: Reportagem publicada pelo G1 em 3 de fevereiro de 2026, por Talyta Vespa.Leia a matéria completa →

Prepare sua associação para o Sandbox

O chamamento público pode abrir em breve. Esteja pronto com toda a estrutura que o Sandbox exige: rastreabilidade, controle de prescrições, gestão de pacientes e compliance integrado.